Autoconhecimento (1)

Vagalume
Plano de Aula: Auto-conhecimento
Faixa etária – Turmas de 4/5 E 6/7 ANOS)

Aula programa para 1 h de duração


Objetivo: Realizar o esforço do autoconhecimento, necessário à progressiva melhoria do ser.

Recursos:  Teatro de varetas: O Vagalume Pisca-Pisca


O Vagalume Pisca-Pisca

Esta é a história de um bichinho que andava muito triste porque não se aceitava.
Era pequenino, se achava feio e para aumentar seu desgosto ainda mais, tinha no popô uma bola grande, transparente como uma lâmpada!
Pisca-Pisca vivia escondendo a tal bola com suas asas...

Tinha também olhos grandes e escuros, que viviam piscando...piscando... (Era um tique nervoso!)
Certo dia resolver consultar a Dona Coruja, que era a mais sábia e mais formosa conselheira daquela floresta!
A Coruja, após um exame completo da situação, tirou o óculos, ajeitou-se bem no tronco da árvore e deu sua opinião:
_ Não acho necessário, não! Sua saúde está ótima! Coração bom, tudo perfeito, tudo em ordem! Para que mexer na natureza? Deus faz tudo perfeito!

Mas Pisca-Pisca insistiu:
_ Ora, Dona Coruja, eu queria mesmo era fazer uma operação plástica!
_ Para quê Pisca-Pisca?

_ Para retirar esta bola horrorosa do meu popozinho!

Dona Coruja fez uma pausa e acrescentou:
_ Ela está doendo ou incomodando?

_ Doer não dói não senhora! Mas incomoda bastante!

_ Meu filho, - disse ela: _ Deus não faz nada à toa ou por acaso. Se você tem esta bola, para alguma coisa ela deve servir. Descubra por si mesmo. Entendeu?

_ Mas não há algum remédio que diminua meu traseirinho?

_ Não. Não e não! A minha opinião é esta: procure com seu próprio esforço descobrir o objetivo de sua vida.
E continuou: _ Tente encher sua cabecinha com preocupações sadias... Só assim conseguirá expulsar de sua mente todos estes "grilos" negativos: Insatisfação, complexo de feiúra, revolta.
Veja bem:
 _ Procure trabalhar, fazer algo de útil! Assim se sentirá melhor!

Pisca-Pisca despediu-se educadamente e saiu desanimado...

_ Trabalhar?... Como? ... Fazer o quê?...Descobrir o objetivo de minha vida?... (Pensava e pensava consigo mesmo, o triste vagalume)
Pisca-Pisca não tinha voz para cantar como os passarinhos...
Não sabia nadar...
Nem dar conselhos como Dona Coruja...
Nem fazer nada...

Com estes pensamentos martelando a sua mente, tomou uma decisão:
_ Vou fazer uma pesquisa na floresta!
_ É isso aí! Vou ver o que os outros animaizinhos e insetos fazem! _ Quem sabe eu não descubro o objetivo de minha vida! _ Engraçado, nunca pensei nisso antes!

Nosso amiguinho entrou na floresta adentro e o primeiro ser que encontrou foi Dona Abelha, pousada numa bela e perfumada flor branca.
Com o desejo de aprender, Pisca-Pisca indagou:
_ Bom dia Dona Abelha, posso fazer-lhe uma pergunta?

_ Bom dia! Pode, mas seja breve. Tenho muito trabalho pela frente para terminar ainda hoje!

_ Se me permite, gostaria de saber qual é o objetivo de sua vida?

_ Ora, ora... Trabalhar e colaborar para o bem-estar da nossa comunidade! Todas nós, abelhas, colhemos o néctar das flores e, com isso, ocupamos o nosso tempo. Quanto mais trabalhamos, melhor colhemos e melhor fica o nosso mel... Com isso, vamos progredindo!

Pisca-Pisca tomou nota num caderninho que levara para este fim:

 1° - trabalhar e contribuir para o bem-estar da comunidade.

Aproveitou e agradeceu a abelha:
-          muito obrigado, dona abelha. Era só isso!

-          não tem de quê!
(com estas palavras a abelha voou para outra flor).

Nosso animalzinho ficou muito animado com a primeira entrevista. Resolveu, pois, prosseguir na tarefa...
Voou durante alguns minutos e foi forçado a pousar em cima de uma folha, porque caía uma chuva forte!...
Ali estavam dois novos bichinhos...
E o Vagalume começou a procurar um “papo” amigável:
_ Bom dia, Dona Formiga, posso fazer-lhe uma pergunta?
_ Claro que pode, mas não demore muito!

E a formiga, enxugando o suor, falou assim:
_Tenho muito trabalho a fazer!
A minhoca, querendo entrar na conversa, acrescentou:
_ Eu também vivo ocupada, mas sempre sobra um tempinho para atender aos amigos!

_ Bem, eu só queria saber qual é o objetivo da vida de vocês duas...

Dona Formiga logo respondeu:
_ Ora, meu amigo, meu objetivo sempre foi e será contribuir para o bem-estar da nossa sociedade, nosso formigueiro!
_ Eu ajudo a encher a despensa comum com folhas e sementes! Assim, no inverno, não morremos de fome... Percebe?

Em seguida, comentou dona Minhoca toda orgulhosa:
_ E o meu objetivo é auxiliar a construção de um metrô subterrâneo que serve para a passagem rápida dos alimentos que vão sustentar e desenvolver as plantas! E ainda colaboro na manutenção da terra bem fofa!

Pensativo, Pisca-Pisca retirou-se com um agradecimento...
Anotou mais uma vez:
2° - trabalho em benefício do bem-estar das plantas e da terra;

3° - trabalho em favor da sobrevivência da sociedade das formigas.

Logo mais adiante, seguindo a sua tarefa inicial (descobrir o objetivo da vida de cada animal da floresta), nosso amiguinho deu de cara com dona Aranha, que tecia ativamente sua teia.

Sem rodeios, no cumprimento de sua função, foi direto ao assunto:
_ Bom dia, dona Aranha. Pelo que vejo, está ativamente trabalhando... Gostaria de fazer-lhe uma pergunta. Será que posso?

_ Pois não! Mas não repare que eu continue a tecer, está bem? Tenho pressa em acabar logo a minha teia.

_ Bem...qual  é o objetivo de sua vida, dona Aranha?

_ Ora... Tecer uma teia bem grande e bonita, contribuindo para a saúde das frutas dessa árvore.

Curioso pelo aprendizado que estava recebendo, Pisca-Pisca exclamou:
_ Como assim?!

E, dona Aranha, continuando seu serviço, esclareceu:
_  Minha teia é uma rede de proteção desta árvore cheia de frutas. As vespas, os mosquitos e outros insetos que iriam picar não só as frutas, como também a casca da árvore, ficam presas em minha teia.
_  Obrigado pela lição, falou o nosso amiguinho.

E dona aranha respondeu, prontamente:
_ Disponha sempre! Não há o que agradecer...

Pisca-pisca mais uma vez anotou:

4° - trabalho em benefício das árvores e das frutas.
 Nosso amiguinho estava cansado. Sentou-se, por isso, numa folha verdinha para descansar. Abriu o caderninho e leu tudo o que tinha anotado!

Resumindo: todos trabalham em benefício de alguém!
O vagalume estava muito triste e pensativo!
E eu?...vou trabalhar em benefício de quem?...fazer o quê?
E uma lágrima grande rolou de seus grandes olhos escuros...
Ah, que vontade de fazer alguma coisa!...

Ainda não descobri o objetivo da minha vida! Sou um inútil mesmo!
Olhou à sua volta, secando as lágrimas ao vento...
As folhas de um arbusto, bem ali perto, agitaram-se.
Ouviu-se um leve soluço!

 Era um veadinho que choramingava assim:
Mamãe, mamãe! Onde está você? Meu deus, eu me perdi! Não sei mais voltar para casa... Socorro! Socorro! Alguém, me ajude, por favor, pelo amor de deus!

Pisca-pisca piscou nervosamente.
Mas, resolveu logo:
_ Eu vou ajudar!
Voou até o veadinho e disse-lhe:
_ Não chore. Vou procurar sua casa. Eu sei voar longe e alto. Fique aqui quietinho, não saia daí, até eu voltar! Depois, eu levo você ao encontro de sua mãezinha...

O veadinho, mais calmo com a ajuda e na esperança de encontrar sua mãezinha, respondeu:
_ Obrigado, eu vou esperar aqui até você voltar. Vou descansar meus pés  estão doendo de tanto caminhar por aí...
_  Ótimo, mas não saia daí, ouviu bem?!  Eu volto logo!

Assim dizendo, Pisca-Pisca saiu a voar o mais rápido possível, para procurar a casa do seu novo amigo...
Voou...voou...voou muito! Procurou o dia inteirinho...até que encontrou a casa do veadinho, bem escondidinha no meio da floresta. Então voltou rápido!

Será que o veadinho esperava no mesmo lugar?
Pisca-pisca estava cansado, mas feliz!
Até que enfim surgira a oportunidade de um trabalho útil!
Até o tique nervoso desaparecera...
Anoitecia.
Ofegante, pisca-pisca descansou por um minuto numa árvore!
E agora? Pensou, já está escurecendo...
Como é que vou guiar o veadinho nesta floresta escura?
O que é que eu faço?

As estrelas começaram a surgir no céu. A escuridão agora era muito grande.
De repente, uma grande estrela, veio descendo, descendo, até que pousou sobre a árvore na qual pisca-pisca descansava.
Toda a árvore brilhou, envolvida pela suave luz da estrela.
Pisca-pisca ficou admirado, mas não teve medo. Olhou para a luz e pensou: - o que será que está acontecendo? Nunca vi coisa igual!
Ouviu então uma voz suave e delicada:

_ Pisca-Pisca, eu vim para dar-lhe um esclarecimento. Você descobriu que todos nós podemos trabalhar em benefício dos outros, não é mesmo?

E acrescentou ainda:
_ Com a boa vontade e os esforços que fazemos, vamos aperfeiçoando nossas qualidades de trabalho. Olha, deus não faz nada sem objetivo. Você sabe o porquê da bola do seu bumbum?
_  Não! - respondeu Pisca-Pisca. - até agora ela só serviu para meu desgosto e vergonha!...
_  Pois bem, deus lhe deu esta lâmpada para que você pudesse iluminar a escuridão da noite e ajudar aqueles que estão perdidos na floresta! Com ela você poderá prestar auxílio e socorrer a muitos!

Pisca-pisca levantou as asas e olhou a bola do seu bumbum.
Uma luz suave e brilhante irradiava-se dela...era igual à luz da estrela!
_ Milagre! Milagre! Exclamou o vaga-lume!

_ Milagres não existem, pisca-pisca! - falou novamente a vozinha.
_ O seu esforço e trabalho acenderam a luz da sua lâmpada. Você sempre sufocou a luz da lâmpada que deus lhe deu, pelas trevas de seus pensamentos, de sua tristeza e revolta. Não foi milagre! Foi o seu esforço e boa vontade em ser útil que desenvolveu esta possibilidade de acender e irradiar a sua luz! Agora você já sabe qual é o objetivo de sua vida.

Assim dizendo, a estrela foi se distanciando de novo, tudo voltou ao normal.

Teria sido alucinação?
Pisca-pisca olhou para o céu.
Lá no alto, a estrela brilhava, suavemente.
Aí olhou para trás!
Não é que a lâmpada do seu bumbum estava mesmo acesa, lançando suave claridade ao seu redor?...
Pisca-pisca não perdeu mais tempo. Levantou vôo com novas energias. Foi até o local onde estava o veadinho, que cansado de tanto chorar, havia adormecido...

_ Acorda, acorda, cheguei! Custou, mas encontrei sua casa. Venha comigo, siga a minha luz! Sua mamãe deve estar muito aflita e preocupada, esperando por você! Vamos, vamos logo!
O animalzinho, feliz, seguiu a luz brilhante do pisca-pisca, chegando em sua casa, são e salvo, para grande alegria e felicidade de sua mamãe, que não soube o que fazer para agradecer o pequenino vaga-lume!

A partir daquele dia o vaga-lume pisca-pisca teve muito trabalho... Todos os dias guiava alguém perdido na floresta de volta a sua casa. Nunca mais teve o tal tique nervoso que lhe originara o nome. Só piscava mesmo era com sua lâmpada, para iluminar o caminho de quem se perdesse...

Descobrira, enfim, a finalidade de sua existência: ser útil, servindo a todos com amor!

A cada dia, sentia-se mais feliz e sua luz ia ficando cada vez mais brilhante...
Ensinar para as crianças a música e a dança do vaga-lume

eu sou o vaga-lume,
que vivo a brilhar
a minha luzinha é pequenininha
mas, dá pra iluminar...
Não me comparo ao sol
sempre a brilhar
não me comparo à lua
que no céu está
mas, lá na floresta,
quando está escuro
a minha luzinha é pequenininha
mas dá pra iluminar...¨

Fonte: Livro: O Vagalume Pisca-Pisca, ISBN: 8573531762 , Autora: Vilma Stein, Editora EME


 

Atividade reflexiva:

 

1 – Pedir para as crianças recontarem a estória do Pisca-Pisca;

2 - Confeccionar com as crianças máscaras de vaga-lume (desenhar a carinha do vaga-lume, tirar cópias de acordo com o número de crianças, levando as máscaras já recortadas, apenas para as crianças colorirem.)

3 – Encher os balões metalizados, prendendo-os com elástico, para formar a popainha pisca-pisca do vaga-lume;

3 – Colocar nas crianças a máscara do vaga-lume e o bumbum feito de balão para brincar, dançando e cantando a música do vaga-lume.

 

Material para as máscaras: Máscaras do Vaga-lume em cartolina branca, lastex para prender as máscaras, giz de cera, lápis de cor e glíter.

Material para o Pisca-Pisca: balões metalizados de cor verde ou dourado e elástico.